A vida política não é nem está alheia às dinâmicas que caracterizam a vivência social e a vida pessoal. Apresenta, portanto, as mesmas inconsistências e virtudes que se vivenciam nas empresas, nas escolas, nas famílias, na consciência individual. Deste modo as reservas e a desconfiança a que de um modo geral a politica e os políticos são votados, é coerente com a desconfiança generalizada nas instituições, na estrutura familiar e até mesmo na coerência ética das pessoas. Parece-nos, deste modo, pertinente desmistificar esta questão, compreendendo e interpretando de um modo um pouco mais sistemático este, chamemos-lhe assim, estado de espírito colectivo.
Ao avaliarmos e emitirmos um juízo sobre a vida política estamos a ajuizar a sua coerência e os fins a que se propõe, assim como os resultados que consegue alcançar. Ora é justamente aqui que se verifica um choque de perspectivas aparentemente inconciliáveis. Passa-se a explicar. No âmbito das teorias éticas, podemos, de um modo simplista, afirmar que duas teorias tem sido dominantes no discurso ético: Uma delas é a teoria deontológica, também conhecida como da convicção, defende que os grandes princípios éticos, como o não matar, o não mentir, o cumprir as promessas, entre outros, devem ser sempre cumpridos independentemente das circunstâncias e das suas consequências que possam advir da sua realização, é portanto uma ética de princípios que sob pretexto algum podem ser violados; a outra teoria, a teleológica, também conhecida como utilitarista ou da responsabilidade, defende não os princípios mas a bondade dos actos, sendo deste modo, bom o acto que promove o bem para o maior número de pessoas, importando já não a convicção mas o resultado, a consequência da acção. Grosso modo é assim que Max Weber apresenta o panorama ético. Apesar de cada uma destas teorias pretender dar uma resposta cabal a nível ético, não será difícil encontrarmos situações em que cada uma delas pode levar a extremos que não são sustentáveis.
O cidadão comum, distante destas reflexões teóricas, ajuíza a política dando predominância ora a uma ora a outra teoria, ou então faz um mix de ambas orientado a sua opção por motivos subjectivos, sejam eles emocionais ou culturais. Avaliar eticamente a política é portanto uma tarefa de extrema complexidade, tal como avaliar eticamente uma pessoa é uma tarefa igualmente de enorme dificuldade. O cidadão comum, está, contudo, habituado a exigir tudo dos outros e das instituições e como tal da política. Ou seja exige coerência ética independentemente das circunstâncias e exige também que a acção política tenha sempre uma finalidade bondosa para a generalidade das pessoas. Nem sempre isto é conciliável.
A política tal como a vida pessoal é uma experiência plena de tensões, conflitos e dilemas. É portanto de singular dificuldade estabelecermos qual a teoria ética que deve ser dominante na acção política e sob a qual a devemos avaliar. A realidade não é linear e será racionalmente ajuizado recusarmos as vias mais fáceis que se traduzem num unilateralismo do pensamento. Tão pouco me parece que o pragmatismo ou o subjectivismo ético consigam fugir de uma visão unilateral e redutora da vivência ética.
O insuspeito Peter Singer, um dos expoentes maiores do utilitarismo actual, refere que a vida quotidiana se pode reger pela aplicação de alguns princípios éticos gerais que orientarão as decisões. Estes princípios deveriam incluir aqueles que a experiência mostrou ao longo dos séculos que conduzem geralmente às melhores consequências, como são o dizer a verdade, respeitar as promessas e não prejudicar os outros, a título de exemplo. Isto conduz-nos, inexoravelmente, àquilo que muitos autores apresentam como a Regra de Ouro e que há milénios é transversal em inúmeras tradições e culturas, e que como tal tem tido diferentes formulações do mesmo princípio: aquilo que não desejas para ti, não faças aos outros; não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti; o que queres que te façam, faz tu também. Deste modo não estamos perante uma ética normativa, mas uma ética de princípios, que pode ser realizada de incontáveis formas. Esta Regra poderá ser, portanto, um bom início para uma apreciação ética da vida, das instituições e como tal também da política.
domingo, 23 de novembro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
8 comentários:
Um texto muito académico. Será que os nossos políticos se preocupam com estas coisas ou apenas com os seus interesses?
Conversa é tudo muito bonito, mas o que se está a ver é políticos atolados em interesses e compromissos e enriquecendo de forma pouco transparente. O país e a mentalidade dos portugueses teriam que levar uma grande volta para se poder acabar com estas trapalhadas vergonhosas. Ainda vai demorar séculos até que isso suceda.
O grande problema da sociedade moderna resume-se a um problema fundamental :
Aqueles que supostamente foram eleitos para nos representar, olham em primeira mão para os seus interesses pessoais e depois para os interesses da nação.
Este facto, acarreta consigo o mal maior da sociedade moderna : A corrupção.
As palavras que se seguem têm mais de 200 anos, mas nos dias de hoje mais do que nunca fazem sentido :
«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as
nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo
Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão
da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os
bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo
de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no
continente que os seus pais conquistaram.»
Thomas Jefferson, 1802
Tenho dito.
Palavras sábias e actuais. Infelizmente, temos que conviver com isso. Há que encontrar a nível político os mecanismos que melhor possam servir os eleitores. Quanto mais informados e vigilantes estes estiverem, melhor poderão acautelar os seus interesses.
Palavras do sr. Almeida Santos acerca das faltas dos deputados na Assembleia da República:
«Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».
Penso que, geralmente, se devem evitar juizos morais, mas isto é inacreditável (pessoalmente, duvido da veracidade destas declarações). A serem verdadeiras, lembram-me as do atleta que disse qualquer coisa como "de manhã, para mim,é bom é na caminha". Aqui em contextos bem diferentes.
Quem são os homens que ditam o rumo moral do nosso povo?
Durante o meu precurso de vida, ensinaram-me a acreditar em valores diversos destes. Estas declarações fazem-me duvidar deles.
Perante isto, qual deverá ser a nossa conduta?
Trabalho, honestidade, sacrifícios em prol do bem individual e colectivo? Tenho as minhas dúvidas. Cada vez mais.
As palavras de Almeida Santos traduzem a mentalidade de uma determinada classe política que se intitula democrática mas despreza o povo que a elege. São os políticos que usurpam as benesses do estado em proveito próprio, que convivem com as negociatas e a corrupção. São esses políticos que sugam o País e nos levam à miséria. São esses mesmos que temos que mudar.
Eu creio ser natural que cada pessoa defenda os seus próprios interesses. Não acredito tanto assim no altruismo. O que acredito é que a sociedade tem que instituir mecanismos de controlo que impeçam o aproveitamento indevido, as negociatas e o abuso de poder e punam a mentira e a corrupção. Fazer algo nesse sentido é do interesse geral.
Acho que isso da ética é só ficção. Se alguma dúvida podia existir, o caso Freeport veio desfazê-la. O Ministério Público a fazer todos os esforços para proteger o Eng. Sócrates. Agora insvestigam-se as fugas e os motivos porque esteve o processo parado para desviar a atenção do problema central que é a corrupção. Apesar de os ingleses o referirem expressamente, o Ministério Público desdobra-se em comentários a dizer que o Eng. Sócrates não é sequer suspeito. Mesmo que não houvesse outros factos, bastava ser ele quem tinha o poder para aprovar o projecto para, à partida, estar entre os suspeitos. Pode até não ter culpa, mas suspeito, pelo menos, haveria de ser. Suspeito nem sequer é arguido, mas dizer que não é suspeito é um insulto à inteligência dos portugueses. Este País está a ficar pior que África.
"MALDITO CARNAVAL"
Os portugueses sofrem diariamente as atrocidades de um governo incapaz e prepotente.
Hoje os milhares de policias do país poderão ver no recibo de
vencimento referente ao fim do mês que depois de "aumentados" em 2007,
recebem menos que no ano passado em igual período. Ao aumento de 1,5% foi retirado o pagamento mensal do SAD-"Serviço de Assistência na Doença", foi cortado no valor, diminuindo (depois do aumento?!... que ainda ninguém viu ....) o subsídio de refeição.
Preparam-se para cortar outros subsídios a quem trabalha nas FORÇAS DE SEGURANÇA. Comandantes nomeados, pelos seus lindos olhos, acabaram com a antiguidade! Como é possível?
Os elementos destas forças de segurança pagam o seu fardamento,
compram material do seu bolso e depois são presos por perseguirem
criminosos...
PORQUÊ isto tudo?
A quem interessa que o povo fique sem segurança?
Dez sindicatos na PSP? Para quê? Para dividirem e estes nabos não percebem?
Escolas fechadas, ensino sem nexo e futuro.
Hospitais fechados, outros deslocados, maternidades encerradas...
A CORRUPÇÃO e a alavanca do conhecimento, a CUNHA portuguesa é palavra de ordem.
A Justiça pereceu. Onde pára o caso Casa Pia? O apito Dourado? O envelope 9?
Rápido tragam-nos algum culpado...
Construiram-se estádios de futebol em barda - 10...não poderia ser por menos!...Estão às moscas. Se forem a alguns desses MONUMENTOS, ainda há locais no interior que nem acabados estão...só fachada!Ah grande ministro do desporto, que em conjunto com CARLOS CRUZ, pago a peso de OURO conseguistes ganhar o MALDITO EURO 2004!... Hoje dizes que tens que cortar no povo!
Estamos fartos do nosso futebol de caca!
Construiram-se parques de estacionamento por todo o país e
adormecem-nos só com a autarquia de Lisboa e de vez em quando lá falam de Coimbra...e até chegarem lá? Não passaram por outras cidades?
Quem é que manda nos governantes? Não será quem subsidia os partidos e outras coisitas?...toma lá amigo!
A CONCENTRAÇÃO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL! Quem controla este poder? Sabemos bem!
AS FA (Forças Armadas) agoniam enquanto se enviam militares para o estrangeiro há anos.Levantem-se HOMENS!
Sim, morrem soldados portugueses no ESTRANGEIRO quando estes
(des)governantes "GRITARAM NEM MAIS UM SOLDADO PARA AS COLÓNIAS"! Onde estavam apenas um milhão de portugueses europeus, para lá dos milhões de AFRICANOS que foram demagogicamente ABANDONADOS e entregues a ABUTRES!
Será que a MADEIRA é a ALDEIA GAULESA? A irredutível, que tal como Asterix e Óbelix em relação a ROMA, resiste ao regime PREPOTENTE e OLIGÁRQUICO de LISBOA? AFINAL ANTÓNIO VITORINO diz que o corte
orçamental se deve ao enorme crescimento da Madeira...
Ora, pensei que era por não haver crescimento.
Nós CIDADÃOS de PORTUGAL, que vivemos em cidades onde vemos que tudo se cumpre menos as leis...Onde o crescimento é inverso, porque nos calamos?!...
Quem tememos?
Acabam as indústrias, o comércio agoniza...
País onde as câmaras municipais são investigadas quase todas e não vemos qualquer resultado.
Porque os CIDADÃOS SEM AMARRAS não reclamam DIGNIDADE para PORTUGAL?
MUITO HÁ AINDA A DIZER, lá virá a altura!
BASTA de PODRIDÃO no poder, quer NACIONAL, quer LOCAL!
MALDITA COCAÍNA...
Basta, basta...basta!
FAÇAMOS ALGO!
DEMITAM-SE TODOS!
ERGA-SE UM GOVERNO DE SALVAÇÃO NACIONAL APARTIDÁRIO!
GRITEMOS POR PORTUGAL!*
Enviar um comentário